Reflexões

Por que opinião não é argumento?

Gladison Perosini
Gladison Perosini
Professor · Pesquisador em Educação

Vivemos em um tempo em que opinar se tornou fácil demais.

Basta sentir, reagir ou repetir algo que já foi ouvido. Em poucos segundos, qualquer pessoa consegue dizer o que pensa sobre qualquer assunto. No entanto, essa facilidade trouxe um efeito silencioso e preocupante: a confusão entre opinião e argumento.

Na escola, essa confusão aparece todos os dias.

O estudante diz: “eu acho isso errado”.
Ou então: “pra mim isso está certo”.

E muitas vezes isso é aceito como suficiente.

Mas não é.

Opinar não exige esforço. Argumentar exige.

A opinião nasce pronta. O argumento precisa ser construído.

Enquanto a opinião se sustenta apenas na vontade de falar, o argumento se sustenta na necessidade de explicar. Ele exige que o sujeito organize o pensamento, estabeleça relações, considere consequências e, principalmente, se responsabilize pelo que diz.

É nesse ponto que a diferença se torna decisiva.

Quando o estudante apenas opina, ele permanece no nível do senso comum.
Quando ele argumenta, ele começa a pensar.

E pensar, de fato, não é automático.

A escola, muitas vezes, acredita que promover o debate já é suficiente para formar sujeitos críticos. No entanto, sem mediação, o debate pode se transformar apenas em um espaço de repetição de opiniões, onde cada um fala, mas poucos refletem.

O problema não está no fato de o estudante ter uma opinião — isso é importante e necessário. O problema está em parar nela.

Sem argumentação, a opinião não evolui.
Sem reflexão, o pensamento não se transforma.

É por isso que ensinar a argumentar é uma tarefa essencial da educação.

Argumentar não é “vencer uma discussão”.
Argumentar é compreender melhor aquilo que se diz.

É aprender que uma ideia pode ser questionada, reformulada, aprofundada.
É perceber que toda fala tem impacto — e que falar também é agir.

Nesse sentido, a formação crítica não começa quando o aluno fala.
Começa quando ele precisa explicar por que falou.

E talvez esse seja um dos maiores desafios da escola contemporânea:

não ensinar apenas os alunos a se expressarem,
mas ensiná-los a sustentar o que expressam.

Porque, no fim das contas, a diferença é simples — e ao mesmo tempo profunda:

todo mundo tem opinião.
Mas nem todo mundo sabe pensar sobre ela.

Gladison Perosini

Escrito por Gladison Perosini

Professor da rede pública municipal e pesquisador em Educação. Mestre em Sociologia Política (UVV) e doutorando em Ciências da Educação. Desenvolve a Periocrítica Dialógica. Conheça a trajetória →

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